quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Poesia de cordel

MAIS POESIAS...








A terra está esquentando e a culpa é do homem

--- Walter Medeiros

Muita coisa nesta vida
Já conseguiu me chocar
Me fez rir e fez chorar
E continuei na lida;
Mas agora vou narrar
O pior fato que há
Na nossa terra querida.

Não é de se apavorar
Mas é bem preocupante
Pois um problema gigante
Acabam de anunciar;
É dose prá elefante
Pois deu no alto-falante
Que a terra vai esquentar.

Não se trata de rompante
Pois quem disse foi a ONU
Nem se deve perder sono
Ou ver algo delirante;
Se a terra não tem dono,
Dióxido de carbono
É pior que meliante.

Falam também no metano
E no óxido nitroso
Um efeito horroroso
Para o habitat humano;
O calor calamitoso
Que já é muito danoso
Aumenta a cada ano.

Não é conto de trancoso
Mas é de bem e de mal
Catástrofe ambiental
É bom ficar bem cioso;
Rádio, tv e jornal
Divulgaram tudo igual
Sem ter mais vez prá dengoso.

E olhe que é parcial
Essa conclusão enfática
Sobre mudança climática
Deveras fenomenal;
Parece coisa galática
Mas tem uma matemática
Ruim prá planta e animal.

Explicando a problemática
Dizem que em dois mil e cem
Ninguém viverá tão bem
Já dá prá pensar na prática;
Esse tempo que se tem
Terá quatro graus além
Numa era sorumbática.

Falam em mais um porém
Sobre as camadas polares
Que perderão seus lugares
Pois esquentarão também;
Derreterão sob olhares
Dos filhos que aqui deixares
E a quem queres muito bem.

Vai ter coisa até nos mares
Que já têm seus perímetros
Cinquenta e oito centímetros
Já te mandam calculares
Usarão até multímetros
Pois a tensão dos voltímetros
Será medida nos ares.

Mais de dois mil cientistas
Assinam o relatório
Não é um dado simplório
É de encher as revistas
Apesar do falatório
De um ianque inglório
Prá quem tudo é terrorista.

Nada ali é irrisório
Pois as secas e tufões
Terão mais situações
Sem nada de ilusório;
Diversas populações
Terão suas aflições
Afetando até cartório.

O aquecimento global
Não é nada por engano
É culpa do ser humano
Que destruiu manguezal;
Desse jeito, ano a ano
Algo pior que profano
Fez assim o maior mal.

Já faz quase doze anos
Que se falou em Kyoto
Não era coisa de boto
Mas sobre erros humanos
Gases, fumaça, esgoto,
Não é coisa de garoto
Mas faltam americanos.

O tal do efeito estufa
Cujo estrago já se viu
Teve ilha que sumiu
Onde tambor não mais rufa;
Geleira também caiu
E muita gente sentiu
Quem escapou disse “ufa!”.

O relatório saiu
Algo precisa mudar
Para da terra cuidar
Começar pelo Brasil
Bastava não desmatar
Para muito ajudar
Já seria nota mil.

Quando quiser viajar
Evite ir de avião
Pois em qualquer estação
Ele vai gás espalhar;
Andar de carro, então,
Se não tiver solução,
Motor sempre revisar.

Dessa forma, cidadão,
A mudança começou
Nosso clima esquentou
Temos um novo padrão
Tempestades de horror
Muita gente já pegou
E pode ter mais, então.

A ciência observou
Que essa variação
Teve a participação
Do homem que relegou
Por causa de ambição
Destrói da terra o pulmão
Que Deus um dia criou.

Não é qualquer impressão
Capaz de gerar enganos
Pesquisaram em mil anos
Região por região
Então daqui a cem anos
Caso sejam mais insanos
Não sei como será não.

A ONU tem grande plano
Para enfrentar o problema
Estuda um grande esquema
Até o fim deste ano
Uma coisa prá cinema
Que pode levar o lema
De salvar o ser humano.

Pensando nesse sistema
Vamos raciocinar
Como essa terra será
Na praia de Ipanema
Quarenta graus ao luar
Mais quatro graus aumentar
Aí vai ser um problema.

Acho que vou terminar
Deixo a bola com você
Para não enlouquecer
Vou parar de matutar;
Para quem conseguiu ler
Quero apenas dizer
Que só quem viver verá.

FIM


sábado, 3 de outubro de 2009

Poesias de Cecília Meireles

Meu Sonho (Cecília Meireles)

Parei as águas do meu sonho
para teu rosto se mirar.
Mas só a sombra dos meus olhos
ficou por cima, a procurar...
Os pássaros da madrugada
não têm coragem de cantar,
vendo o meu sonho interminável
e a esperança do meu olhar.
Procurei-te em vão pela terra,
perto do céu, por sobre o mar.
Se não chegas nem pelo sonho,
por que insisto em te imaginar?
Quando vierem fechar meus olhos,
talvez não se deixem fechar.
Talvez pensem que o tempo volta,
e que vens, se o tempo voltar.

Motivo (Cecília Meireles)

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E sei que um dia estarei mudo:
- mais nada

Traze-me (Cecília Meireles)

Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
-Vê que nem te digo - esperança!
-Vê que nem sequer sonho - amor!

Timidez (Cecília Meireles)

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
- mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...
- palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...
e um dia me acabarei.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

domingo, 27 de setembro de 2009

Enem

Dicas para uma boa dissertação.
http://www.youtube.com/watch?v=U-VaM_uV5ys

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Cai Chuva do Céu Cinzento

CAI CHUVA DO CÉU CINZENTOCai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.

Tenho uma grande tristeza
Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.

Porque verdadeiramente
Não sei se estou triste ou não.
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
Dentro do meu coração
.


    Fernando Pessoa


Cio da primavera

Florescem os flamboiãs,
Colorindo as manhãs,
Anunciando a nova era.
Esparrama-se em beleza
A nobre mãe-natureza:
É o cio da primavera!

Namorando, os passarinhos
Vão refazendo seus ninhos,
Em plenos ares se amando.
São um exemplo bonito,
Que embeleza o infinito,
A prole multiplicando.

Com tal céu me contagio,
E me sinto em pleno cio,
Como a relva em esplendor.
Seguindo na minha estrada,
Busco em alguma parada,
Alguém pra ser meu amor!

O Amor (Fernando Pessoa)

O Amor

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.



Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer



Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!


Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

.................

sábado, 19 de setembro de 2009

TENHA UMA ÓTIMA SEMANA LENDO ALGUMAS DAS MAIS BELAS POESIAS DE DRUMMOND















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O mundo é grande

O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.


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Para Sempre


Certas palavras

Certas palavras não podem ser ditas
em qualquer lugar e hora qualquer.
Estritamente reservadas
para companheiros de confiança,
devem ser sacralmente pronunciadas
em tom muito especial
lá onde a polícia dos adultos
não divinha nem alcança.

Entretanto são palavras simples:
definem
partes do corpo, movimentos, atos
do viver que só os grandes se permitem
e a nós é defendido por sentença
dos séculos

E tudo proibido. Então, falamos.


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Canção Amiga

Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.

Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.


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Soneto da Perdida Esperança

Perdi o bonde e a esperança.
Volto pálido para a casa.
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.

Vou subir a ladeira lenta
em que os caminhos se fundem.
Todos eles conduzem ao
princípio do drama e da flora.

Não sei se estou sofrendo
ou se é alguém que se diverte
por que não? na noite escassa

com um insolúvel flautim
Entretanto há muito tempo
nós gritamos: sim! ao eterno.


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A hora do cansaço

As coisas que amamos,
as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
no limite de nosso poder
de respirar a eternidade.

Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.

Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nos cansamos, por um outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.

Do sonho de eterno fica esse gosto ocre
na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.


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Os ombros suportam o mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rudo trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.


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Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que não amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia.
Joaquim se suicidou e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.






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BOM FIM DE SEMANA A TODOS !

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

PARA REFLETIR

EXISTE VERDADE POSSÍVEL ?
O QUE É ??????????
" A verdade é um labirinto. . Se digo a verdade inteira, se digo tudo o que penso, se digo com todas as letras, com todos os pingos nos is, seria um deus-nos-acuda, entraria um sudoeste pela janela da sala. Então eu digo a verdade possível, e o resto guardo a sete chaves no meu cofre de silêncios."

GRANDE AUTORA ROSEANA MURRAY

Caros leitores, gostaria de pedir que vocês acessassem o novo site www.roseanamurray.com e prestem atenção na página Letras do Barro e escultora /ceramista Evelyn Kligerman (www.evelynkligerman.com), ela faz umas oficinas maravilhosas com barro e leitura, além de ter uma pousada atelier em Teresópolis.

RELATO DE ATIVIDADES

AQUI POSTAREMOS RELATOS DE ATIVIDADES FEITAS EM SALAS COM NOSSOS ALUNOS. NOSSOS SUCESSOS, NOSSAS DÚVIDAS, NOSSOS ENTRAVES E TUDO O MAIS. COMENTEM !